domingo, 21 de dezembro de 2014

ARQUERIA: a Meta e a expectativa da Epifania

O momento crucial na arte da Arqueria é o instante da "Mira do Alvo".
São instantes onde o Arqueiro foca sua energia em um ponto que, de pronto, quer alcançar. 
Esse objetivo chamamos de Alvo, a  Meta, o Foco. É imprescindível definição clara do objetivo, pois esse é o ponto catalizador de todo o movimento. 
Na expectativa do alcance da meta, surge a sensação do súbito instante de realização, e é essa a chama que impulsiona o nosso “querer”.
Contudo, no processo de arcar a flecha e projetá-la ao vento, o Arqueiro deve ter a sensibilidade para que não ocorra a "sublimação da meta", ou seja, a par de toda tensão gerada, ele não pode se deixar apaixonar pelo Alvo. 
Isso ocorre quando, não raro, nos tornamos tão aficcionados pela a "Mosca", que esquecemos que ela é meramente um ponto visual, uma referência de valor, uma projeção do objetivo que queremos (e vamos!!) atingir. 
Há um mistério envolto no processo. Ou seja, na verdade, não existe a “Mosca”. 
E a favor desse mistério, os verdadeiros Arqueiros se rendem. Nele está contido o “propósito maior”, que tem sempre a permissão de cuidadosamente adequar e adaptar o Alvo, que se torna dentro do mais próximo possível  do que é projetado na flecha. 
A lição que os arqueiros colhem de todo o movimento é que, por mais que tentem, "nada está garantido". 
E que, se realmente quiserem que seja possível a concretização do propósito, é essencial reservar espaço ao imponderável e ao Mistério em suas vidas. 

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